Sr. Liu,
O senhor não me conhece. Meu nome é Glória Duarte. Tenho 81 anos, sou viúva e já não enxergo mais. Vivo em Catalão, Goiás, na terra que é minha por direito — a mesma terra de onde a sua empresa tira bilhões de reais todo ano.
Meu marido, Jesus, morreu no ano passado com 90 anos. Nos últimos meses, ele urinava num balde de obra porque não tínhamos como pagar o cateter. Ele morreu assim — sem a menor dignidade. Enquanto isso, os advogados da sua empresa disseram no tribunal que eu vivo em "extremo conforto".
Sr. Liu, eu sobrevivo com uma pensão de R$ 1.600 por mês. Não tenho como comprar antibiótico quando preciso. Seis co-proprietários idosos morreram durante esses dez anos de processo — sem ver um dia de justiça. Jesus foi o último. Eu posso ser a próxima.
Eu sei que na sua cultura existe o ensinamento de que 百善孝为先 — das cem virtudes, o respeito aos pais é a primeira de todas. Não estou invocando isso como argumento. Estou invocando como apelo de uma mãe para um filho que foi criado para saber o que é honra.
Não me venha com argumentos de advogados, Sr. Liu. Eu já ouvi advogados por dez anos. Venha com respeito. Sua empresa não sustenta certificações que a obrigam a considerar as partes interessadas, a observar os direitos humanos de idosos?
O Que Peço
1. Reconhecimento: Que a CMOC reconheça minha condição de extrema vulnerabilidade.
2. Negociação: Uma mesa de diálogo real — mande alguém com poder de decisão imediata.
3. Dignidade: Que o nióbio da minha terra não carregue mais sangue no nome.
O tempo corre para mim, Sr. Liu. Não para o processo. Não para a sua empresa. Para mim.
E por derradeiro eu pergunto, Sr. Liu:
E SE FOSSE SUA MÃE?
如果是你的母亲呢?